| Sexo depois dos 30 |
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| MAIS AMOR | |||
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JPAGE_CURRENT_OF_TOTAL Cinco décadas depois da revolução feminina, a eterna pergunta ainda faz sentido para muita gente e virou até mote de um seriado americano. Afinal, adiar a transa para fazer um homem casar é uma estratégia eficaz ou não passa de insegurança e só serve para deixar você morrendo de vontade? Várias mulheres, uma psicanalista e um sexólogo discutem esse jogo polêmico de poder
É claro que, se a mulher não sente atração sexual pelo homem, não vai querer transar com ele. Isso nem se discute. A questão é: e se ela estiver súper a fim, vale a pena ficar só nos beijos e adiar a transa em nome de um compromisso futuro? "Lógico que não", opina a psicanalista Regina Navarro Lins, autora de vários livros sobre relacionamento, entre os quais o clássico A CAMA NA VARANDA (reeditado pela Best-Seller). Acho lamentável que algumas mulheres ainda acreditem que devem reprimir opróprio desejo para adequar-se às exigências do homem." Regina defende que essa estratégia é resquício de uma mentalidade patriarcal repressiva. "Fomos educadas para corresponder às expectativas masculinas. Crescemos ouvindo que homem não gosta de mulher 'fácil' e que, para agradar a ele, o 'certo' é agir assim ou assado." Essa ideologia, afirma, gerou dois tipos de comportamento feminino: a servidão - quando a moça faz qualquer coisa para ser aprovada pelo parceiro; e a manipulação - quando ela usa o sexo como arma, oferecendo ou recusando a fim de obter vantagens, seja algum ganho financeiro (presentes, jóias etc...), seja a promessa de casamento.Para Regina, esses dois modos de agir remontam ao século 19 e são aprisionantes. Em vez de usar ardis para segurar o homem, a mulher ganharia mais se investisse em sua autonomia semeando no mundo (e isso inclui a criação dos filhos, meninos e meninas) uma nova visão de amor e de sexo, sem joguinhos de poder. Portanto, quanto mais a mulher entrar em contato com o próprio desejo e se responsabilizar por ele, melhor. Isso significa assumir que faz ou deixa de fazer algo porque ela quer, sem argumentar, por exemplo, que não vai para a cama na primeira noite ou que topa sexo anal sem ter vontade porque é isso que o homem quer. Assumir o próprio desejo é difícil? Sem dúvida. "Tem mulher independente que, quando se interessa por um homem, ainda se comporta como uma cinderela", diz a psicanalista, lembrando que sucesso financeiro não é sinônimo de autonomia emocional. Na outra ponta da equação, será que o homem julga mal a mulher que não esconde o tesão por ele e que topa ir para a cama nos primeiros encontros? O sexólogo e psicoterapeuta Ronaldo Pamplona considera que, atualmente, poucos pensam assim e por esses a mulher não deveria se lamentar. "Se um homem desvaloriza uma parceira porque ela faz sexo, é melhor que ele vá logo embora", diz. Para Pamplona, a mulher age de forma machista quando imagina que recusar sexo vai valorizá-la diante dos olhos do outro. Isso é sinal de que ela não tem noção do próprio valor e fica à mercê da opinião do parceiro. Mas a ala masculina, embora jamais admita, também é muito insegura", garante o sexólogo, que tem 36 anos de consultório. "Quando um homem some depois de uma transa, é possível que esteja com medo de que a mulher não aprove seu desempenho sexual ou que o compare com outro, coisa de que todos têm pavor." Para Pamplona, não é o caso de estabelecer regras de conduta sexual. "Tudo depende do momento e do casal. Se cada um ficar com medo do que o outro vai pensar - ela temendo pela reputação e ele pela performance na cama -, será mais difícil. Por outro lado, diferentemente das mais jovens, a mulher maior de 30 anos ainda tem muita influência do amor romântico", revela Pamplona. "Às vezes, ela adia o sexo não como um estratagema para prender o homem, e sim porque prefere ir para a cama só quando se sente envolvida ou apaixonada." Além do mais, nem todas gostam tanto de sexo. E existem muitas razões culturais para isso. Não é por acaso que "o caso Bree" chegou à TV americana na puritana era Bush. Pamplona lembra que a Usaid - Agência do Governo dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional -, uma das reguladoras dos investimentos das campanhas antiaids no mundo, tentou pressionar países a propagar a virgindade e a fidelidade como único modo de combater a doença. "Felizmente, o Brasil preferiu disseminar o uso do preservativo. Porém, aqui, a Igreja Católica e o movimento evangélico têm feito cruzadas a favor da virgindade até o casamento." É um novo modo de ligar sexo a sujeira, perigo e pecado e também um retrocesso em relação aos movimentos dos anos 60, que o associaram a liberdade, saúde e alegria.
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Em
pleno século 21, e quase 50 anos depois da revolução feminina
deflagrada pela invenção da pílula anticoncepcional, a velha tática de
recusar o sexo promete voltar à cena. Pelo menos foi o que aconteceu no
seriado americano DESPERATE HOUSEWIVES (retransmitido aqui pela 












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