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Não saber viver sem arte é uma característica nata do ator, autor e produtor ALEXANDRE CONTINI (na foto com a amiga e atriz Laila Zaid). Feliz da vida, ele anda encarando um mundo de trabalhos: a assistência de direção de João Fonseca, na peça Comédia Russa, texto do Pedro Bricio, que estreia em outubro; Oui Oui A França é Aqui, na qual é assistente do mesmo diretor, está em cartaz no Fashion Mall de quinta a domingo, até o fim de agosto; grava nesse mês um curta-metragem onde é ator, produtor e roteirista; enfim, volta com o seu espetáculo infantil em setembro, no Teatro Glaucio Gil. Para sorte do Caderno R Mulher, ele aceitou nosso convite de estrear esta nova série: Homens Que Brilham na Arte Brasileira. O ator é um deles, delicie-se com a entrevista!
Qual o significado da arte em sua vida? Complexa, essa pergunta. Creio que é a através dela que alcanço a plenitude, mesmo ela sendo um vício em minha vida. Sou completamente apaixonado pela minha profissão, do tipo que trabalha nas horas de folga. Mas acho que só poderia responder o significado da arte em minha vida se eu soubesse o significado da minha vida na arte.
Em que, exatamente, a arte beneficia o ser humano? Quando o espectador se esquece do seu dia cansativo, naquele momento, assistindo a uma peça, um filme ou até mesmo uma novela, ele consegue compartilhar a experiência com os personagens e entrar em contato com suas emoções, para depois, transformado, seguir sua vida cotidiana. Óbvio que nem sempre a arte é feita dessa maneira, existe o tipo de “arte hipnótica”, que nos mantém fora da realidade enquanto pessoas no poder conseguem fazer manobras sem serem pegos. Como tudo na vida, a arte tem seu lado “bom” e “ruim”. Eu sou do tipo espectador que embarca. Quase sempre saio do teatro apaixonado por uma boa atriz (Risos), ou passo dezenas de madrugadas sem dormir assistindo a filmes e seriados.
Interpretar, escrever, produzir, qual atividades lhe dá mais prazer? Sem dúvida, interpretar. Ano passado dei vida a um personagem chamado “Selvagem”, na peça “O Segredo de Cocachim”. Não tem prazer maior que compor os movimentos, o som da voz, como ele age ou reage, como respira… Imagina o quão prazeroso é o seu trabalho ser uma brincadeira de criança levada a sério. Fiz no palco coisas tão surreais como as brincadeiras no quintal da minha vó. Produzir, posso afirmar que não tenho esse tesão todo. Faço apenas para viabilizar meus projetos. Escrever e dirigir são paixões que vou conciliar a vida toda com meu lado ator, embora ainda esteja dando os primeiros passos na direção.
 Dois melhores artistas, de todos os tempos, para você, atualmente? Dunga e Felipe Melo (Risos). Brincadeira, mas nem um capítulo ápice de novela do Manoel Carlos tira tantas lágrimas nossas em tão pouco tempo. Falando sério, Quentin Tarantino e Nelson Rodrigues. Ambos carregam o profano e o sagrado de mãos dadas, invertendo seus valores. Me identifico muito com esse tipo de deboche desapegado, esse humor negro e, o principal, esse mergulho visceral em temas que ainda são tabus. Indico a todos um desenho animado que, da forma mais humorada, trata desses temas, que é: Uma Família da Pesada.
Hoje, Alexandre Contini por Alexandre Contini? Carrego o olhar e o sorriso da criança que fui, somado à coragem e à instabilidade da adolescência, com a responsabilidade e a péssima mania de querer entender tudo da vida adulta.
MAIS UMA MATÉRIA COM O ATOR:
http://orebate-izansant.blogspot.com/2009/04/de-jovem-para-jovens.html
OUTRAS MATÉRIAS MINHAS, NO JORNAL O REBATE:
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