Há algumas semanas criei um perfil em uma rede social (“facebook”) com o nome “Cachoeira Paulista Mais Vinte”, medidas, propostas e sugestões para que nossa cidade redescubra sua vocação e atinja metas concretas e estruturais ao longo de vinte anos. Inspirei-me em um fórum de discussões das Nações Unidas promovido em 2002 (Rio + 10), na África do Sul onde foram debatidas e discutidas as metas estabelecidas em encontro anterior (também conhecido como Rio92). O fórum visava rediscutir algumas propostas, sobretudo, viabilizar meios de que as metas fossem alcançadas com a participação não só do governo, mas principalmente dos cidadãos! Muito interessante é perceber que atualmente, como bem sugeriu um amigo colunista nesta revista, noutra oportunidade, temos um grande exército de “caras pintadas cibernéticos”. Soldados que se encorajam diante à armadura de tela plana, luzes, cores e grandes funções: a tela do computador (Tanto se encorajam que às vezes até se exacerbam ao proferir palavras - ou escrevê-las - de maneira desrespeitosa e deselegante com relação aos assuntos que verdadeiramente ignora.).
Em uma postagem recente no perfil, sugeri que os velhos novos soldados cibernéticos enviassem fotos que pudessem exprimir alguma reclamação ou sugestão sobre a nossa realidade. Um respeitável cidadão de nossa cidade, me enviou, via e-mail, uma charge de Millôr Fernandes que dizia: “Está bem, vamos concordar que Deus é brasileiro. Mas para defender o Brasil de tanta corrupção só botando Deus no gol”. Coincidentemente, no mesmo dia, um amigo e antigo companheiro de boa prosa, jovem há bem mais tempo (ele certamente se identificará!), enviou-me uma oportuna sugestão sobre fazermos um manifesto contra a corrupção em nossa cidade, sugeriu ainda um slogan: Cachoeira, Trincheira Contra a Corrupção! Meu amigo, sua sugestão está sendo cuidadosamente aprimorada!
Na mesma semana, li um artigo muito interessante que provocava a população a participar mais ativamente de diversas causas que permeiam o nosso cotidiano. Também alertava do perigo das afirmativas generalizantes. Não é justo nem plausível que julguemos todos os políticos como corruptos ainda que possamos elencar longa lista de envolvidos em grandes (e pequenos, que essencialmente são grandes) escândalos. Assim como não podemos dizer que todos aviões não são bons porque acidentes ocorreram! Infelizmente a mídia sensacionalista e ocupada muito com a venda de edições interessa-se pelos acontecimentos impactantes. Ninguém publica manchetes informando uma lista de aviões que não caíram ou de políticos que são probos e desenvolvem um bom trabalho... isso não venderia nada!
Tanto é generalizante a idéia que fazemos de alguns assuntos, que a primeira coisa que possivelmente virá a cabeça ao ler as últimas linhas do parágrafo anterior é: “mas é claro, políticos assim não existem!”. Mas será que alguém já parou pra analisar, no mínimo, quem escolheu como representante nos últimos pleitos? Sei que há quem assim proceda! Tenho muito cuidado em acompanhar um ou outro parlamentar que se destaca no brilhantismo de alguns projetos que defende, ou causas que abraça! Quantos prefeitos fizeram história em suas cidades! Não é uma defesa generalizante (pois esta condição estou combatendo) mas uma necessidade de olhar crítico! Afinal, tempo de escolhas se aproxima!
Relendo todos os textos já enviados à coluna da qual muito me orgulho de escrever (anteriormente jornal e hoje revista), verifiquei que em mais de 2 anos e meio de colunista, quase 70% dos artigos eram também provocativos no mesmo sentido: “População, participe! Faça a Diferença”! É fácil ficar na poltrona, palpitando a respeito de tudo, de maneira superficial... fácil também viver na hipocrisia de dizer combater algo que essencialmente já faz parte, tamanho o envolvimento! Este artigo a que me referi, mais do que apimentar intensas críticas que venho digerindo a cada novo acontecimento (Seja em nossa cidade ou em outros entes), ajudou a levantar alguns temas que venho debatido com alguns amigos e pessoas que acompanham meu dia.
De volta ao “Cachoeira Paulista Mais Vinte”, o que mais tenho observado são pessoas questionando o esquecimento de alguns serviços e monumentos da cidade. Citarei a mais corriqueira e reiterada crítica, sem me aprofundar (no intento de gerar crítica própria a cada um que ler), a Estação Ferroviária de nossa cidade. Objeto foco de tantos planos, promessas e intenções, a mais bela e uma das maiores, encharcada de cultura e histórias... hoje simplesmente uma facilitadora de tráfico, uso de drogas e até exploração sexual, infelizmente. São tantas as belas histórias que ouço a respeito de sua arquitetura, o planejamento que a resultou. Quem nunca ouviu a lenda (dizem alguns ser a mais pura verdade!) do engenheiro/arquiteto que por sua conta estendeu o projeto de construção aumentando significativamente o tamanho da estação, pois teria se apaixonado por uma cachoeirense e não queria deixar a terra tão cedo...? Mas infelizmente, essas histórias só aquecem a indignação de poucos... mas tenho otimismo de que isso vai mudar!
Que a coragem seja adjetivo preponderante dentre os que colecionamos ao longo da vida, que nunca a preguiça ou mesmo o comodismo tome conta de todos que acreditam e de uma forma ou outra lutam por algo melhor! Soldados cibernéticos equipem-se com seus antivírus mais potentes... Afiem seus mouses, verifiquem a consistência dos teclados e a vivacidade de cores em suas telas há uma nova, antiga e longa batalha que se inicia agora!